Profissionais de saúde lidam diariamente com feridas de perfis muito diferentes — de um corte superficial a um pós-operatório com maior risco de infecção. Nesse cenário, conhecer os tipos de curativos e entender quando usar cada um reduz complicações, melhora o conforto do paciente e acelera a recuperação, sempre respeitando o protocolo da instituição e a avaliação clínica.

A seguir, você vai ver uma visão prática e organizada sobre curativo simples, curativo ativo, curativo passivo e curativo cirúrgico, além de um passo a passo para selecionar a cobertura mais adequada.

Tipos de curativos: o que muda entre eles na prática

De forma simples, os curativos se diferenciam por função (proteger, absorver, hidratar, antimicrobiano, compressão), interação com o leito da ferida e nível de complexidade. Um bom curativo ajuda a manter o ambiente ideal de cicatrização (geralmente úmido, mas não encharcado), controla exsudato e reduz risco de contaminação.

Na rotina, pense em três perguntas antes de escolher:

  1. Qual é o objetivo agora? (proteção, absorção, antimicrobiano, cicatrização)
  2. Como está a ferida? (limpa, contaminada, infectada, com necrose, com exsudato)
  3. Qual é o contexto do paciente? (pós-operatório, pele frágil, alergias, mobilidade, dor)

Curativo simples: quando a proteção é o principal

O curativo simples costuma ser indicado quando a lesão é superficial, com baixo exsudato e sem sinais de infecção, ou quando o objetivo é apenas proteger contra atrito e sujeira.

Exemplos comuns de uso:

  • pequenas escoriações e cortes superficiais;
  • proteção de áreas de fricção;
  • cobertura temporária após limpeza, até reavaliação.

Pontos de atenção:

  • se houver aumento de dor, vermelhidão, secreção, mau cheiro ou febre, o plano deve ser reavaliado;
  • “simples” não significa “sem técnica”: limpeza adequada, mãos higienizadas e cobertura limpa fazem diferença.

Curativo passivo: cobertura e absorção sem “ação terapêutica”

O curativo passivo funciona principalmente como barreira física e/ou absorvente, sem liberar substâncias ativas no leito. Ele é útil quando o objetivo é proteger e controlar o exsudato, especialmente em feridas limpas ou em fase de granulação.

Em geral, o curativo passivo pode ajudar a:

  • absorver secreções leves a moderadas;
  • manter o leito protegido;
  • reduzir atrito e trauma mecânico na troca.

Quando pensar nessa categoria:

  • feridas com exsudato controlado;
  • proteção de áreas sensíveis;
  • situações em que a instituição adota protocolos padronizados de cobertura conforme estágio.

Curativo ativo: quando a cobertura “trabalha” na cicatrização

O curativo ativo é aquele que interage com o leito da ferida para favorecer a cicatrização. Dependendo do produto, ele pode ajudar a manter umidade ideal, promover desbridamento autolítico, reduzir carga bacteriana ou acelerar epitelização.

Na prática, o curativo ativo tende a ser considerado quando:

  • há necessidade de controle mais fino de umidade;
  • a ferida exige um ambiente de cicatrização mais “guiado”;
  • o objetivo vai além de “cobrir”, buscando melhora do microambiente do leito.

Importante: a indicação depende do tipo de tecido, exsudato, risco de infecção e avaliação clínica. Nem toda ferida precisa de curativo ativo — e, quando precisa, o custo-benefício costuma aparecer em menos complicações e melhor evolução.

Curativo cirúrgico: foco em proteção, conforto e prevenção no pós-operatório

O curativo cirúrgico é voltado para incisões e feridas operatórias. Aqui, a prioridade costuma ser:

  • proteger a incisão de contaminação externa;
  • controlar exsudato inicial (quando presente);
  • reduzir atrito e proteger de trauma;
  • manter o local estável e confortável.

Em muitos casos, também entram estratégias para:

  • minimizar maceração ao redor;
  • evitar descolamento precoce (movimento, suor, dobra da pele);
  • reduzir risco de infecção conforme risco cirúrgico e protocolo institucional.

O “melhor” curativo cirúrgico é o que se mantém bem no local, não agride a pele na remoção e atende o objetivo do momento (ex.: absorção no pós imediato vs. proteção na fase seguinte).

Guia rápido para escolher entre os tipos de curativos

Para facilitar a decisão no dia a dia, use este checklist:

1) Avalie exsudato

  • baixo → cobertura de proteção pode bastar
  • moderado/alto → priorize absorção e trocas programadas

2) Observe sinais de infecção

  • dor desproporcional, calor, rubor, edema, secreção purulenta, odor, febre → reavaliar conduta e seguir protocolo/assistência médica

3) Considere a pele ao redor

  • pele frágil/idoso/dermatite → prefira coberturas que reduzam trauma na remoção

4) Pense na localização

  • áreas de dobra (cotovelo, joelho) e regiões úmidas exigem boa fixação e menor risco de descolamento

5) Defina objetivo da etapa

  • proteção (curativo simples)
  • absorção e barreira (curativo passivo)
  • suporte à cicatrização (curativo ativo)
  • pós-operatório/incisão (curativo cirúrgico)

Onde entram as possibilidades da tegaderm no cuidado com feridas

Em muitos protocolos, filmes transparentes e coberturas específicas são usadas para proteção, fixação e suporte a certos cenários (por exemplo, áreas com necessidade de visibilidade do local). Quando fizer sentido no seu fluxo de atendimento, vale conhecer opções e aplicações para padronizar o cuidado.

Para facilitar sua navegação e apoiar sua pesquisa, confira estes conteúdos internos da Rioclarense:

Erros comuns ao escolher curativos e como evitar

  • Trocar com frequência demais (ou de menos) sem critério: programe conforme exsudato, adesão e protocolo.
  • Não proteger a pele perilesional: maceração e irritação aumentam o desconforto e pioram a evolução.
  • Cobertura “certa” com técnica errada: higiene das mãos, limpeza adequada e descarte correto são parte do resultado.
  • Ignorar a dor: dor na troca pode indicar trauma por adesivo, técnica inadequada ou necessidade de outra abordagem.

Escolha consciente melhora resultado e rotina

Entender os tipos de curativos ajuda a tomar decisões mais seguras em feridas simples, lesões com exsudato, situações que pedem curativo ativo, casos em que um curativo passivo é suficiente e contextos de curativo cirúrgico no pós-operatório. O melhor caminho é sempre unir avaliação clínica, protocolo institucional e reavaliação contínua da evolução da ferida.

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