A esterilização de materiais hospitalares é um dos pilares da segurança do paciente. Quando o processo falha, o risco de infecções relacionadas à assistência à saúde aumenta, assim como retrabalho, custos e desgaste da equipe.

Por isso, quem atua em CME, enfermagem, centro cirúrgico ou serviços de diagnóstico precisa entender bem as etapas envolvidas, os principais métodos de esterilização e os pontos de atenção descritos em normas como a RDC 15 da Anvisa.

Neste artigo, você encontra um panorama prático sobre o tema, da limpeza de material cirúrgico ao monitoramento da autoclave, além de uma sugestão de leitura complementar sobre biossegurança.

O que é esterilização de materiais hospitalares

De forma simples, esterilização de materiais hospitalares é o processo que visa eliminar todas as formas de vida microbiana em artigos médicos e hospitalares, incluindo esporos bacterianos. Ela é diferente da desinfecção, que reduz a carga microbiana, mas não garante a destruição completa de esporos.

Na prática, a esterilização é obrigatória para artigos críticos, ou seja, aqueles que entram em contato com tecidos estéreis ou sistema vascular, como instrumentais cirúrgicos, cateteres e alguns tipos de dispositivos implantáveis.

Etapas do reprocessamento no CME

Antes de pensar em métodos de esterilização, é fundamental garantir um fluxograma de reprocessamento bem estruturado no CME:

1. Limpeza de material cirúrgico

Tudo começa na limpeza de material cirúrgico. Nessa etapa ocorrem:

  • Pré-limpeza ainda no centro cirúrgico ou setor de uso;
  • Limpeza manual ou automatizada com detergentes adequados;
  • Enxágue abundante e secagem completa.

Sem limpeza eficiente, a matéria orgânica e resíduos podem impedir a ação do agente esterilizante, além de acelerar corrosão e desgaste.

2. Inspeção e preparo

Depois da limpeza, a equipe do CME inspeciona cada artigo, monta caixas e conjuntos, separa itens danificados e prepara o material para embalagem. Iluminação adequada, lupas e checklists fazem diferença nessa fase.

3. Embalagem e identificação

A etapa seguinte é a embalagem com materiais apropriados ao método de esterilização adotado, como papel grau cirúrgico, campos de tecido específicos ou sistemas de barreira estéril. A identificação deve contemplar:

  • Lote;
  • Data de esterilização;
  • Data de validade;
  • Ciclo ou carga;
  • Responsável ou código rastreável.

4. Esterilização e liberação

Somente depois disso o material segue para a autoclave ou outro equipamento, de acordo com o tipo de artigo e a RDC 15. Ao final do ciclo, a liberação deve considerar os indicadores físicos, químicos e, quando aplicável, biológicos.

5. Armazenamento e transporte

Os artigos esterilizados precisam ser armazenados em local limpo, organizado, com controle de temperatura e umidade, além de fluxo adequado de entrada e saída. O transporte até as áreas de uso deve preservar a integridade das embalagens.

Métodos de esterilização mais utilizados

Há vários métodos de esterilização de materiais hospitalares. A escolha depende da compatibilidade entre o agente esterilizante e o material do artigo.

Esterilização por vapor em autoclave

O método mais usado em CME é o vapor saturado sob pressão em autoclave. Ele combina temperatura elevada, saturação de vapor e tempo de exposição para atingir a esterilidade. Entre as vantagens:

  • Alta eficácia e previsibilidade;
  • Ausência de resíduos tóxicos no artigo;
  • Custo relativamente baixo por ciclo.

Por outro lado, nem todo material suporta alta temperatura e umidade, o que exige avaliação prévia das instruções do fabricante do dispositivo.

Óxido de etileno (ETO)

Indicado para materiais termo sensíveis e complexos, o óxido de etileno é um gás esterilizante de grande penetração. Sua principal vantagem é a compatibilidade com diversos polímeros e dispositivos de alta complexidade, porém exige:

  • Controle rígido de segurança ocupacional;
  • Aeração prolongada para remoção de resíduos;
  • Infraestrutura adequada e monitoramento rigoroso.

Peróxido de hidrogênio e outras tecnologias

Métodos baseados em peróxido de hidrogênio vaporizado ou plasma vêm sendo cada vez mais utilizados em materiais termo sensíveis. Oferecem ciclos mais curtos que o óxido de etileno e menor risco ocupacional, embora tenham limitações de carga e compatibilidade com certos materiais.

Outros métodos, como calor seco e radiação, têm aplicações mais específicas e, em muitos serviços, uso mais restrito.

Papel da autoclave na esterilização de materiais hospitalares

Quando se fala em esterilização de materiais hospitalares, a autoclave ocupa lugar central. Mas não basta “apertar o botão” e confiar cegamente no ciclo. É preciso:

  • Carregar corretamente, respeitando limites de peso e permitindo circulação do vapor;
  • Selecionar o ciclo adequado ao tipo de carga;
  • Monitorar temperatura, pressão e tempo de exposição;
  • Usar indicadores químicos e biológicos de acordo com a política do serviço;
  • Registrar dados de cada ciclo e manter a rastreabilidade.

A RDC 15 reforça a necessidade de validação e revalidação dos processos, além da manutenção preventiva e corretiva dos equipamentos.

RDC 15 e boas práticas de esterilização

A RDC 15 da Anvisa estabelece requisitos para o funcionamento de CME e serviços de saúde que reprocessam produtos para saúde. Entre os pontos que impactam diretamente a esterilização de materiais hospitalares, destacam-se:

  • Classificação dos artigos em críticos, semicríticos e não críticos;
  • Exigência de protocolos escritos e atualizados;
  • Treinamento e capacitação da equipe;
  • Monitoramento de processos com indicadores;
  • Registros que garantam rastreabilidade desde o uso até o reprocessamento.

Seguir a RDC 15 não é apenas cumprir a legislação, mas construir um ambiente mais seguro para pacientes e profissionais.

Erros comuns e como evitá-los

Mesmo com tecnologia e normas robustas, falhas ainda acontecem. Alguns erros frequentes na esterilização de materiais hospitalares são:

  • Limpeza inadequada ou incompleta;
  • Sobrecarga da autoclave, que impede a circulação do vapor;
  • Embalagens úmidas ao final do ciclo e, ainda assim, liberadas para uso;
  • Uso de materiais de embalagem incompatíveis com o método escolhido;
  • Ausência de registro de indicadores químicos ou biológicos;
  • Armazenamento em locais com poeira, umidade ou excesso de manuseio.

A melhor estratégia para evitá-los passa por treinamento contínuo, revisão periódica de POPs, cultura de segurança e uso adequado de equipamentos hospitalares de qualidade.

Esterilização de materiais hospitalares e biossegurança

Falar em esterilização de materiais hospitalares é falar também em biossegurança, já que todo o processo contribui para a prevenção de infecções e para a proteção da equipe. Se você quiser se aprofundar nesse tema, vale conferir o artigo da Rioclarense sobre biossegurança na enfermagem e entender como essas práticas se conectam no dia a dia do cuidado.

Você pode ler o conteúdo completo em Biossegurança em Saúde.

Equipamentos hospitalares para um CME mais seguro na Rioclarense

Para que a esterilização de materiais hospitalares ocorra de forma eficaz, não basta ter protocolos. É fundamental contar com equipamentos hospitalares adequados, embalagens corretas e sistemas de monitoramento da esterilização confiáveis.

A Rioclarense é um e-commerce especializado em produtos para saúde que oferece:

  • materiais para esterilização e monitoramento;
  • itens de limpeza e preparo de materiais;
  • soluções para armazenamento e organização;
  • outros equipamentos hospitalares essenciais para CME, enfermagem e centros cirúrgicos.

Se você quer reforçar a segurança do seu serviço, vale conhecer a linha de equipamentos hospitalares da Rioclarense e avaliar como eles podem apoiar a rotina do seu CME. Assim, os protocolos ganham estrutura, a equipe trabalha com mais tranquilidade e o paciente recebe um cuidado mais seguro de ponta a ponta.